A tarifa horossazonal é a modalidade em que o preço da energia varia conforme a hora do dia, aplicada a consumidores do Grupo A nas modalidades azul e verde, com valores mais altos no horário de ponta.
A tarifa horossazonal parte de um princípio econômico simples: energia consumida em momentos de maior demanda do sistema custa mais caro para ser produzida e entregue. A tarifa reflete esse custo.
Neste guia você vai entender como as modalidades azul e verde funcionam, o que são os postos tarifários, como identificar o enquadramento na sua conta, quais empresas se beneficiam de cada modelo e como a gestão do consumo se transforma em economia concreta.
O que é tarifa horossazonal?
É o conjunto de modalidades tarifárias em que o preço da energia elétrica varia conforme a hora de utilização do dia, e não de forma única ao longo de todo o período.
O nome combina dois elementos. “Horo” indica a variação por horário. “Sazonal” remete à variação por período do ano, herança do desenho original da estrutura tarifária brasileira, ligada aos períodos seco e úmido.
Segundo a ANEEL, as modalidades tarifárias são definidas conforme o grupo tarifário e as opções de contratação previstas na Resolução Normativa n.º 1.000/2021. Para o Grupo A, existem duas modalidades horárias: azul e verde.
A lógica por trás é de sinalização econômica. Ao encarecer a energia no horário de pico, a tarifa incentiva empresas a deslocarem consumo para períodos de folga, o que reduz a necessidade de acionar usinas mais caras.
Quem paga tarifa horossazonal?
As modalidades horárias azul e verde se aplicam ao Grupo A, que reúne unidades consumidoras atendidas em alta e média tensão.
O Grupo A se divide em subgrupos conforme o nível de tensão.
- A1: tensão igual ou superior a 230 kV;
- A2: de 88 kV a 138 kV;
- A3: 69 kV;
- A3a: de 30 kV a 44 kV;
- A4: de 2,3 kV a 25 kV;
- AS: sistemas subterrâneos.
Na prática, esse universo inclui indústrias, shoppings, hospitais, grandes supermercados, hotéis, universidades e condomínios de porte elevado.
Há uma restrição importante de disponibilidade. A modalidade azul está disponível para todos os subgrupos do Grupo A. Já a verde é restrita aos subgrupos A3a, A4 e AS, conforme define a ANEEL.
Consumidores do Grupo B, atendidos em baixa tensão, não têm acesso a essas modalidades. Para eles existem a Convencional Monômia e a Horária Branca, com piso de faturamento definido pelo custo de disponibilidade, item que aparece na fatura de quem sabe entender a conta de luz linha a linha.
O que são postos tarifários?
Posto tarifário é a faixa de horário à qual se aplica determinado preço de energia. É a unidade básica que organiza toda a lógica horária.
A regulação define três postos.
- Ponta: período diário de três horas consecutivas, definido por cada distribuidora, com exceção de sábados, domingos e feriados nacionais.
- Intermediário: faixa de transição, composta pela hora anterior e pela hora posterior ao horário de ponta.
- Fora de ponta: todas as demais horas do dia, incluindo integralmente os finais de semana e feriados.
O ponto que costuma passar despercebido é que finais de semana e feriados nacionais são inteiramente fora de ponta. Para operações com flexibilidade de escala, isso abre uma janela concreta de planejamento.
Quais são os horários de ponta e fora de ponta?
Cada distribuidora define seu próprio horário de ponta dentro dos parâmetros regulatórios, considerando o perfil de carga da sua região.
Em Minas Gerais, conforme a própria Cemig, os postos se organizam conforme a tabela abaixo.
| Posto tarifário | Horário | Dias |
| Ponta | 17h às 20h | Segunda a sexta |
| Intermediário | 16h às 17h e 20h às 21h | Segunda a sexta |
| Fora de ponta | Demais horários | Todos os dias |
Sábados, domingos e feriados nacionais são integralmente fora de ponta.
Vale reforçar que esses horários valem para a Cemig. Empresas com unidades em outros estados precisam consultar a distribuidora local, porque a faixa varia. Esses mesmos postos organizam a tarifa branca aplicada a consumidores residenciais.
Como funciona a tarifa horossazonal azul?
Na modalidade azul, tanto o consumo quanto a demanda de potência têm tarifas diferenciadas por posto tarifário.
Isso significa quatro componentes de faturamento:
- consumo na ponta;
- consumo fora de ponta;
- demanda contratada na ponta;
- demanda contratada fora de ponta.
A empresa contrata dois valores distintos de demanda, um para cada posto. É um desenho que dá mais controle a quem consegue reduzir a potência utilizada durante a ponta, mas que também exige gestão mais atenta.
A azul está disponível para todos os subgrupos do Grupo A e é obrigatória para os subgrupos de tensão mais alta.
Como funciona a tarifa horossazonal verde?
Na modalidade verde, o consumo tem tarifas diferenciadas por posto, mas a demanda tem tarifa única, sem separação entre ponta e fora de ponta.
Os componentes ficam assim:
- consumo na ponta;
- consumo fora de ponta;
- demanda contratada única.
A simplificação vem com uma contrapartida. Como não há demanda separada para o horário de ponta, a tarifa de consumo na ponta na modalidade verde costuma ser bastante superior à da modalidade azul.
A verde está disponível apenas para os subgrupos A3a, A4 e AS.
Qual é a diferença entre tarifa azul e verde?
A comparação lado a lado deixa a decisão mais clara.
| Critério | Tarifa azul | Tarifa verde |
| Consumo | Diferenciado por posto | Diferenciado por posto |
| Demanda | Contratada separadamente para ponta e fora de ponta | Valor único para todos os horários |
| Tarifa de consumo na ponta | Mais baixa | Mais alta |
| Subgrupos elegíveis | Todos do Grupo A | A3a, A4 e AS |
| Complexidade de gestão | Maior | Menor |
| Favorece quem | Consome muito na ponta e precisa de potência alta | Consegue reduzir consumo na ponta |
A síntese prática é esta: quanto mais a sua operação consegue evitar consumo no horário de ponta, mais a modalidade verde tende a compensar. Já operações que não conseguem deslocar carga e demandam potência elevada durante a ponta costumam se sair melhor na azul.
O que é demanda contratada e por que ela pesa tanto?
Demanda contratada é a potência em kW que a empresa reserva junto à distribuidora, independentemente de utilizá-la ou não.
Funciona como uma reserva de capacidade. A distribuidora dimensiona sua infraestrutura para entregar aquela potência a qualquer momento e cobra por essa disponibilidade.
Dois erros de dimensionamento custam caro.
- Demanda contratada acima da necessidade: a empresa paga por capacidade ociosa todos os meses.
- Demanda registrada acima da contratada: ocorre a ultrapassagem, que gera cobrança adicional sobre o excedente.
O ajuste correto da demanda é frequentemente a economia mais rápida disponível para um consumidor do Grupo A, e não exige investimento algum, apenas análise do histórico de medição.
A distinção entre potência em kW e consumo em kWh confunde bastante, e fazer o cálculo de consumo de energia em kWh da operação é a forma mais rápida de separar os dois conceitos na prática.
Como escolher entre tarifa azul e verde?
A escolha exige análise do histórico real de consumo, não estimativa. O caminho é este.
Passo 1: levante o perfil de consumo por posto
Consulte as faturas dos últimos 12 meses e separe o consumo na ponta e fora de ponta. A proporção entre os dois é o dado central da decisão.
Passo 2: avalie a flexibilidade da operação
- É possível deslocar processos produtivos para fora da ponta?
- Há equipamentos de alta potência que podem ser desligados entre 17h e 20h?
- A operação tem turnos que permitem redistribuição de carga?
Empresas com flexibilidade real ganham mais na verde.
Passo 3: simule as duas modalidades
Com o histórico em mãos, aplique as tarifas vigentes de cada modalidade sobre o mesmo consumo e compare o resultado anual. A simulação precisa considerar consumo e demanda em conjunto, não apenas um deles.
Passo 4: revise a demanda contratada
Independentemente da modalidade escolhida, verifique se a demanda contratada está aderente ao uso real. Esse ajuste costuma render economia imediata.
Como as bandeiras tarifárias se aplicam?
As bandeiras tarifárias funcionam como um acréscimo sobre o consumo, sinalizando o custo de geração de energia no país em determinado mês.
Elas incidem independentemente da modalidade tarifária. Uma empresa na tarifa verde ou azul também sente o efeito da bandeira amarela ou vermelha sobre a parcela de consumo.
Cada cor tem critério próprio de acionamento, e acompanhar as bandeiras tarifárias na conta de luz ajuda a antecipar os meses de fatura mais pesada.
Para operações com consumo elevado, meses de bandeira vermelha representam impacto financeiro significativo, o que reforça o valor de estratégias estruturais de redução de custo com energia.
E a Tarifa Branca é a mesma coisa?
Não, embora a lógica seja parecida. A Tarifa Branca é a modalidade horária do Grupo B, voltada a consumidores de baixa tensão.
As diferenças centrais:
- a Branca não tem componente de demanda contratada, apenas consumo;
- aplica-se a residências, pequenos comércios e propriedades rurais;
- não está disponível para o subgrupo B4 nem para a subclasse Baixa Renda do B1.
A adesão é opcional e só compensa para perfis que conseguem concentrar consumo fora do horário de ponta. Antes de migrar, vale simular tarifa branca ou tarifa convencional com o seu histórico real de faturas.
Como reduzir custos na tarifa horossazonal?
Existem quatro caminhos, e eles se somam.
1. Deslocar carga para fora da ponta
O ganho mais direto. Reprogramar processos intensivos em energia para o período fora de ponta, ou para finais de semana, reduz a fatia mais cara da conta.
Nem toda operação tem essa flexibilidade, mas quase toda tem alguma. Vale mapear quais cargas são realmente inadiáveis.
2. Ajustar a demanda contratada
Revisar a demanda com base no histórico de medição elimina pagamento por capacidade ociosa e evita multas por ultrapassagem. É análise, não investimento.
3. Investir em eficiência energética
Ganhar eficiência energética reduz consumo e demanda ao mesmo tempo. Motores, sistemas de refrigeração e iluminação costumam ser os pontos de maior retorno.
Vale aplicar em paralelo as ações práticas para economizar energia na empresa, que rendem resultado sem depender de troca de equipamento.
4. Reduzir o custo da energia consumida
Os três caminhos anteriores atacam o volume. Este ataca o preço. Empresas com porte para migrar podem negociar diretamente com geradoras no mercado livre de energia. Quem não tem porte nem estrutura para essa migração reduz custo pela geração distribuída de energia, sem complexidade contratual e sem investimento.
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Você viu que a tarifa horossazonal recompensa quem gerencia bem o horário de consumo, e que ajustar demanda e deslocar carga produz resultado concreto. Só que essas ações mexem no volume consumido, não no preço da energia.
A Bulbe atua justamente nesse segundo ponto. Geramos energia solar em fazendas próprias em Minas Gerais e injetamos essa energia na rede da Cemig, que a leva até a sua operação. O resultado é economia de até 15% na conta de luz, sem obra, sem equipamento e sem investimento.
Não há migração de mercado, não há adequação de medidor, não há taxa de adesão e não há fidelidade. A adesão é digital e a sua operação continua exatamente como está, com o mesmo fornecimento e a mesma rede.
Atuamos em geração distribuída desde 2017 e já atendemos mais de 50 mil clientes em Minas Gerais. O acompanhamento de consumo e de economia é feito por aplicativo próprio, o que facilita a gestão financeira do negócio. Vale conhecer como funciona a energia solar para empresas antes de fechar o orçamento do próximo ano.
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Glossário sobre tarifa horossazonal
- Demanda contratada: potência em kW que a unidade consumidora reserva junto à distribuidora, faturada independentemente do uso efetivo.
- Grupo A: conjunto de unidades consumidoras atendidas em alta e média tensão, sujeitas à contratação de demanda e a modalidades horárias.
- Grupo B: conjunto de unidades consumidoras atendidas em baixa tensão, sem contratação de demanda.
- Horário de ponta: período diário de três horas consecutivas, definido por cada distribuidora, em que a tarifa de energia é mais elevada. Não se aplica a sábados, domingos e feriados nacionais.
- Horário intermediário: faixa composta pela hora anterior e pela hora posterior ao horário de ponta.
- Horário fora de ponta: demais horas do dia, além de finais de semana e feriados nacionais integralmente.
- Modalidade azul: modalidade horária com tarifas diferenciadas de consumo e de demanda por posto tarifário.
- Modalidade verde: modalidade horária com tarifas diferenciadas de consumo por posto e tarifa única de demanda.
- Posto tarifário: faixa horária à qual se aplica determinado preço de energia.
- Ultrapassagem de demanda: cobrança adicional aplicada quando a demanda registrada supera a contratada.
Perguntas frequentes sobre tarifa horossazonal
Qual o horário de ponta da Cemig?
Das 17h às 20h, de segunda a sexta-feira. O horário intermediário vai das 16h às 17h e das 20h às 21h, nos mesmos dias.
Tarifa horossazonal vale para residências?
Não. As modalidades azul e verde são exclusivas do Grupo A. Residências podem aderir à Tarifa Branca, que é a modalidade horária da baixa tensão.
Qual modalidade é mais barata, azul ou verde?
Depende do perfil de consumo. A verde costuma compensar para quem consegue reduzir consumo na ponta, e a azul para quem demanda potência elevada nesse período.
Finais de semana são horário de ponta?
Não. Sábados, domingos e feriados nacionais são integralmente considerados fora de ponta.
Posso mudar de modalidade tarifária?
Sim, respeitados os critérios de elegibilidade do subgrupo e os prazos de permanência previstos na regulação e no contrato com a distribuidora.
O que acontece se eu ultrapassar a demanda contratada?
A distribuidora aplica cobrança adicional sobre a parcela excedente, o que costuma encarecer bastante a fatura do mês.