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Indústria 5.0: Conceito, Oportunidades e Implantação

Conheça a Indústria 5.0: uma nova revolução industrial que promete mudar a produção e o consumo da sociedade em sua totalidade.

Tempo de leitura: 9 minutos.

Ao longo de toda a história, o homem sempre buscou aperfeiçoar seus métodos de produção com o objetivo de obter maior eficiência nos processos e, consequentemente, uma melhora da qualidade de vida de toda a população.

Por muito tempo a produção de bens e alimentos era escassa, restringindo-se apenas ao sustento individual ou familiar, o que trazia diversas restrições e uma baixa expectativa de vida.

A partir da primeira revolução industrial, o método de produção foi radicalmente transformado, a ponto de ser possível desenvolver grandes centros urbanos, produzir mais alimentos e bens e aumentar a qualidade de vida da população. Depois desse marco, o mundo passou por outras revoluções industriais que trouxeram ainda mais benefícios para a humanidade, melhorando a vida das pessoas, aperfeiçoando os processos produtivos e trazendo avanços tecnológicos nas mais diferentes áreas.

Atualmente, o mundo se encontra na quarta revolução industrial, na qual a tecnologia se faz presente mais do que nunca no processo produtivo. O uso da internet das coisas, big data e inteligência artificial ligado a robôs permite que todo o processo produtivo seja automatizado, tirando a necessidade da força humana em todo o processo e deixando a ação do homem, na maior parte das vezes, em atividades administrativas e de manutenção.

Porém, desde 2016, um novo conceito de indústria vem surgindo, principalmente em países altamente tecnológicos, denominado Indústria 5.0. Esta nova revolução busca aliar a tecnologia propiciada pelos robôs à criatividade humana para criar, cada vez mais, produtos personalizados de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

Nesse artigo, vamos mostrar: as características de cada revolução industrial até atingir o patamar da Indústria 5.0, do que se trata essa nova revolução, quais são seus benefícios e os desafios para a implantação nas indústrias brasileiras.

As Revoluções Industriais

Para compreendermos o contexto atual e para onde a próxima revolução irá nos levar, devemos entender quais foram os avanços que cada revolução industrial trouxe para a humanidade. Ao todo, o mundo passou por quatro revoluções industriais, sendo todas resumidas a seguir.

Primeira Revolução Industrial (Indústria 1.0)

Originada por volta dos anos 1760 na Inglaterra, foi concedida a partir da utilização da energia à vapor, fazendo com que o trabalho, que antes era manual e demandava muito tempo e esforço, fosse realizado por máquinas em um ambiente industrial, produzindo um número maior de itens de uma maneira bem mais rápida.

Nessa época, surge a divisão de trabalho, onde cada funcionário recebia uma determinada função na indústria e ganhava um salário para executar seu trabalho, se contrapondo ao sistema feudal.

Segunda Revolução Industrial (Indústria 2.0)

Desenvolvida em meados dos anos 1850 e 1870, sendo permeada até o fim da segunda guerra mundial, foi um aprimoramento da indústria 1.0 onde novas fontes de energia foram empregadas no processo produtivo, tal como a hidráulica, petróleo, química, bem como ocorreu o fortalecimento da indústria do aço. 

A produção em larga escala também cresceu, muito em função de novos sistemas de produção, tal como o fordismo. Ainda nesse período, o domínio industrial passou a ser exercido por outros países, tais como a França, Estados Unidos e Alemanha.

Terceira Revolução Industrial (Indústria 3.0)

Foi marcada por uma expressiva adoção da tecnologia no processo produtivo, incluindo processos de automação nas linhas de montagem, com robôs capazes de executar tarefas em larga escala, permitindo que parte da mão de obra começasse a ser substituída por máquinas inteligentes

Nesse período, os setores da eletrônica, informática e robótica experimentaram um avanço considerável, possibilitando que a revolução tecnológica não ficasse apenas nas indústrias, mas chegasse diretamente à população, por meio de equipamentos médicos, computadores, automóveis, televisores, dentre outros equipamentos do cotidiano.

Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0)

É a revolução que veio com o objetivo de automatizar todos os processos industriais. Através da utilização do armazenamento em nuvem, internet das coisas, big data, simulação e sensores, uma linha inteira de produção robótica pode ser configurada apenas pela base de outra pré-existente, dispensando a necessidade da programação do software de cada célula fabril. A partir disso, o desempenho da produção tornou-se ainda mais rápido e eficiente.

Tal tecnologia leva à reflexão de que indústrias inteiras podem funcionar sem a interferência humana, com as próprias máquinas produzindo e atestando a qualidade do produto. Porém, à medida em que o mundo adota tal metodologia é observado que, mesmo com toda a tecnologia, a ação humana no processo industrial é indispensável.

Um exemplo claro disso é a necessidade de manutenção das máquinas, realizada por equipes de manutenção, bem como recursos humanos são necessários para acompanhar todo o processo de produção.

Indústria 5.0

Outro exemplo é a avaliação sensorial dos produtos. As máquinas não possuem recursos que avaliem a qualidade como um todo, dessa forma, em alguns processos, a qualidade do produto precisa ser certificada por humanos.

A partir de todos esses fatores, foi constatado que os humanos não devem ser excluídos do processo de planejamento, controle e produção, mas sim inseridos de tal forma que trabalhem em conjunto com toda a tecnologia, dando espaço para o surgimento da indústria 5.0.

A Indústria 5.0

Enquanto a indústria 4.0 consegue obter uma produção em massa de diversos produtos para a sociedade, a indústria 5.0 possui o objetivo de desenvolver a chamada “personalização em massa”, ou seja, criar produtos totalmente personalizados para o consumo de cada indivíduo e produzi-los em grande escala.

Isso só será possível graças ao trabalho conjunto entre os robôs cooperativos, também conhecidos como cobots, que irão realizar o processo de manufatura, e o homem, que irá introduzir toda sua capacidade analítica e criativa.

Indústria 5.0

Mesmo que as máquinas na indústria 4.0 realizem quase todo o processo de produção, a atividade dos colaboradores na indústria não deixou de ser monótona, pois os trabalhadores devem realizar as mesmas atividades todos os dias, seja a de manutenção ou gerenciamento da linha de produção. Com essa nova era, o trabalho criativo do homem será resgatado, aumentando inclusive o número de empregos e a produtividade na indústria.

Essa ideia de otimização de produtos pode parecer ser recente mas, na verdade, esse objetivo está sendo buscado há muito tempo. Vamos tomar como exemplo o caso dos automóveis. 

A montadora Ford surgiu na segunda revolução industrial produzindo carros apenas de um único modelo e na cor preta. Com a terceira revolução industrial, foi possível fabricar automóveis com uma certa personalização, como cores diferentes e alguns itens extras, porém, a produção ainda visava atender aos desejos da população em geral.

Na quarta revolução industrial, a exclusividade de automóveis deu um salto muito alto, tornando possível encontrar carros de diferentes modelos, cores, motores e itens internos. Mas, ainda assim, você pode ter notado que, em uma cidade grande, possivelmente alguém irá possuir um carro com exatamente as mesmas características que o seu.

Com a revolução que a indústria 5.0 irá trazer para o mundo, seu automóvel ou qualquer outro produto será criado exclusivamente para você, com todos seus gostos, preferências de design e funcionalidades.

A indústria 5.0 também trará uma revolução para a segurança dos trabalhadores. Ao invés de profissionais entrarem em vasos de pressão, escalar torres e linhas de energia para realizar inspeções, robôs e drones serão utilizados para realizar essas tarefas, trazendo, além de uma maior velocidade ao processo, mais segurança aos colaboradores que serão requisitados apenas para fazer as análises técnicas, gerando uma melhoria no trabalho.

A saúde dos trabalhadores também irá melhorar, pois tarefas árduas como o levantamento de pesos serão realizadas pelos cobots. Um exemplo disso é a utilização desses robôs para manusear formas de pão numa padaria, evitando riscos ergonômicos aos funcionários. Clique aqui para ver como um cobot pode realizar essa ação com perfeição.

Ou seja, a indústria 5.0 não significa a ruptura da tecnologia utilizada na indústria 4.0, mas sim o seu aprimoramento por meio da utilização da tecnologia disponível com a criatividade humana na elaboração de produtos, retornando, de certa forma, a uma parte do método de trabalho empregado na era pré-industrial, onde os produtos eram fabricados de uma forma exclusiva e individual por falta de mão de obra especializada e tecnologia suficiente.

Indústria 5.0

Nesse novo cenário, graças ao advento tecnológico, os produtos voltarão a ser exclusivos e serão distribuídos a toda a população. Tal revolução irá contribuir para a chamada sociedade 5.0, onde os avanços econômicos estarão alinhados com o desenvolvimento social, através da oferta de serviços que atendam diretamente às necessidades de cada parcela da sociedade, independente da condição financeira ou localização, aumentando a acessibilidade da população à tecnologia.

Desafios da Implantação da Indústria 5.0

Toda revolução exige adaptações. Com a indústria 5.0, isso não será diferente, especialmente para as empresas brasileiras. Enquanto países desenvolvidos tecnologicamente, tais como o Japão, Estados Unidos e Alemanha, já iniciaram o processo de colaboração mútua entre robôs e humanos, grande parte das indústrias brasileiras ainda não conseguiram se adaptar à indústria 4.0.

Isso se deve, em grande parte, à falta de um planejamento empresarial, à escassez de pessoas especializadas e aos custos elevados para a implantação da automação inteligente. Porém, a adoção de medidas tecnológicas nas indústrias brasileiras não precisa ser necessariamente realizada de forma repentina.

Os administradores devem ter em mente que: todo o investimento feito na aquisição de equipamentos ou preparo dos profissionais deve caminhar para uma filosofia de trabalho adotada pelas grandes indústrias mundiais.

Investimento Em Educação

A demanda por profissionais com conhecimentos em tecnologia da informação, engenharia de software, internet das coisas e sistemas de informação será cada vez maior. A indústria 5.0 seguirá o mesmo caminho da quarta revolução industrial e demandará esses especialistas, pois, para produzir produtos específicos, serão necessários profissionais que saibam programar os cobots para operações específicas.

Para que todas as empresas consigam seguir para essa nova revolução tecnológica, o investimento em educação para esse segmento é essencial, partindo desde o ensino fundamental com a introdução de disciplinas como linguagem da programação, até cursos de graduação e pesquisas acadêmicas. 

Não é por acaso que as evoluções tecnológicas ocorrem em países que investem substancialmente em pesquisa científica. Os resultados das pesquisas acadêmicas são implantados diretamente nas indústrias desses países, fazendo com que eles sempre sejam os primeiros a se modernizarem, trazendo uma grande vantagem competitiva para suas indústrias.

Indústria 5.0

Responsabilidade Ambiental

Com a crescente inovação industrial, será necessário que cada vez mais componentes de hardware sejam fabricados, bem como matéria-prima para a fabricação de toda a linha de produção. Para se ter uma ideia, a produção de transistores, componentes eletrônicos essenciais para a indústria, aumentou quatro vezes em apenas três anos, saindo de 250 quintilhões fabricados em 2014 para um sextilhão de fabricados em 2017.

Para produzir todos os equipamentos necessários, o mundo irá precisar de uma grande demanda energética, a qual, se for gerada apenas a partir de fontes não renováveis, representará um grande risco ao meio ambiente. Além disso, os programadores de software deverão configurar os robôs com códigos cada vez mais eficientes visando obter uma economia de energia no seu processamento.

Por isso, a nova indústria irá se basear em fontes limpas de energia, apontando sempre para uma maior eficiência energética.

A Bulbe e a Indústria 5.0

A nova revolução industrial só será realidade se a matriz energética for alterada, dando preferência para fontes sustentáveis de energia, tal como a solar. Seguindo a tendência mundial, a Bulbe é uma empresa geradora de energia limpa que atualmente conta com usinas solares por todo o estado de Minas Gerais, utilizadas para a geração compartilhada de energia.

Visando suprir a necessidade energética da atual indústria e da revolução que está por vir, a Bulbe está ciente do seu papel em fornecer energia solar para uso industrial de uma maneira simples, rápida e segura.

Nosso trabalho visa atender todas as indústrias que desejem economizar energia e progredir para a nova era da revolução tecnológica, tornando-se uma empresa parceira do desenvolvimento sustentável.

Conclusão

A indústria 5.0 virá para satisfazer um dos maiores desejos das pessoas, o consumo de produtos totalmente personalizados. Isso remete a uma época muito distante, onde o trabalho era puramente manual e os produtos eram personalizados por artesãos e poucas pessoas tinham o privilégio de obtê-los.

A diferença agora é que, com a junção de toda a tecnologia desenvolvida nos últimos tempos com a criatividade humana, a personalização de produtos será feita em larga escala, atendendo a toda população e criando um novo tipo de sociedade, a chamada sociedade 5.0.

Para que isso seja possível, haverá uma grande busca por profissionais altamente qualificados, demandando investimento em educação em todas as áreas tecnológicas, bem como o incentivo a pesquisas acadêmicas.

Outro desafio para essa nova revolução é a enorme demanda energética que será necessária. A única maneira da indústria conseguir resolver essa questão é por meio da adoção de fontes renováveis de energia, tais como a energia solar.

Por fim, a indústria 5.0 irá gerar um maior número de contratações e trará os trabalhadores novamente para o processo criativo das empresas, retirando os mesmos de atividades repetitivas, fazendo com que tenham uma maior segurança e produtividade em seu trabalho.

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